E o futuro, a qual RP pertence?


Autora: Kamila Negri

E o futuro, a qual RP pertence?

É difícil imaginar que até pouco tempo atrás as empresas armazenavam 100% de seus dados em papéis, não é mesmo? Essa situação só começa a mudar no final dos anos 80, com a atrasada e tímida popularização dos computadores no Brasil. Desde então, em um intervalo de pouco mais de 30 anos as mudanças na maneira de viver das pessoas foram radicais. Com esse texto busca-se aprofundar como essas mudanças afetaram a dinâmica das organizações e consequentemente, as oportunidades de trabalho para os relações  públicas.

No Brasil, conforme indica matéria publicada na revista Exame (2017), as empresas investem cada vez mais em sistemas integrados de gestão empresarial (ERPs). Esses sistemas são softwares que armazenam e organizam os dados e movimentações das organizações em suas diferentes áreas de atuação: vendas, financeiro, marketing, recursos humanos, controladoria, custos, processos produtivos, logística, etc. Muitos devem pensar que com um banco de dados organizado e alimentado fica fácil para os gestores de áreas tomarem decisões estratégicas, rápidas e assertivas, correto? 

Bem, mas na prática não é bem isso que acontece. Isso porque, o excesso de informação pode gerar mais conflitos do que soluções. Imagine-se perdido a noite em uma mata fechada; você tem um mapa que te indica pelo menos quinze caminhos diferentes, mas nenhum deles sinaliza o destino final e então, qual caminho escolher? Essa metáfora é para causar em você a sensação de um gestor que se vê forçado a tomar decisões importantes, sem ter o tempo necessário ou habilidade para filtrar, agrupar e analisar as informações brutas que estão cheias de ruído.

A fim de sanar essas dificuldades muitas organizações têm contratado sistemas complementares de inteligência de negócios, os chamados BI, que atuam em paralelo ao sistema ERP. Esses softwares comprimem e cruzam os dados do ERP e os transformam em dashboards, indicadores e análises que podem ser atualizadas em tempo real e oferecem uma visão muito mais ampla, clara e estratégica do negócio. 

Para executar essa atividade, muitas empresas tem investido em profissionais para dar sentido aos dados internos complementando-os com análises externas, como pesquisas de mercado por exemplo. A partir da unificação de dados internos a externos, esse profissional é capaz de identificar as tendências para aquele segmento e juntamente com os gestores, faz a mágica da comunicação acontecer transformando diagnóstico em plano de ação. Essa fatia de mercado em ascensão, torna-se uma nova possibilidade de atuação profissional para os relações públicas visto que, essencialmente, baseia-se em diagnosticar, escutar, planejar, comunicar e agir.

De modo geral a mensagem que deixo é, os cenários estão mudando rápido demais e isso muitas vezes nos deixa inseguros para desbravar e estabelecer novas possibilidades para atuar como RP's. Apesar disso, é preciso romper a cultura do medo que nos prende somente a eixos conhecidos, pois é apenas assim que conseguiremos agregar valor a nossa profissão, mesmo diante das constantes mudanças no mercado de trabalho. Aprender a técnica nem sempre é fácil mas, se aprende. Já a intuição, a sensibilidade, a capacidade de escuta e outras características intrínsecas de nosso ofício, não. Por isso RP,  confie em suas habilidades natas. 

O Institute For The Future (2019), em pesquisa encomendada pela Dell sobre os impactos da tecnologia até 2030, constatou que 85% das profissões de 2030 ainda não foram criadas. Assim, respondendo ao questionamento feito na titulação desse texto eu arrisco, o futuro pertence ao RP atento e aberto as mudanças, que não teme ao erro, que arrisca, que valoriza sua intuição e protege sua humanidade e que busca aperfeiçoamento "fora da caixa", porque o que faremos daqui a 10 anos, provavelmente ainda não exista :D

Fonte:https://exame.abril.com.br/negocios/dino/empresas-investem-cada-vez-mais-em-erp/  e https://inforchannel.com.br/2017/07/27/85-das-profissoes-que-existirao-em-2030-ainda-nao-foram-inventadas/ 


Imagem: https://www.wfuturismo.com/foresight-e-prospectiva-estrategica/

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