Be Beta

Autora: Kamila Negri 
O projeto que me inspira a escrever o texto de hoje é o mesmo que eu gostaria que vocês conhecessem mais profundamente (caso já não conheçam :D). 


A RBS em parceria com a cineasta Flavia Moraes realizou uma investigação sobre o futuro da indústria da comunicação. Esse projeto se chama The Communication (R)Evolution, possui um site próprio e o acesso é gratuito. Essa empreitada apresenta 11 premissas (#betrue, #betrusted, #bepart, #thinkplural, #thinkmobile, #bebeta, #thinkhead, #thinkhigher, #becollaborative, #beintuitive e #beuseful) e cada uma delas traz coletâneas de vídeos com perspectivas de conceituados profissionais de Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Los Angeles, São Francisco, Nova York e Boston.

De todos os vídeos do projeto, os que mais me impactaram foram os apresentados pela premissa Be Beta. Resumidamente, podemos dizer que na informática o termo beta é destinado a projetos, softwares por exemplo, que por serem inovadores foram lançados de forma inacabada e por isso, requerem atualizações e melhorias constantes.

Foi o termo beta que me tirou da zona de conforto e me convidou a refletir sobre as verdades prontas e limitadas que, inconscientemente, ainda dissipamos sobre comunicação. Os diversos setores da sociedade têm passado por constantes, profundas e rápidas transformações, com base no vídeo The future is Beta, Ricardo Guimarães, CEO da Thymus Branding comenta

“o ritmo de inovação é tão grande que entre uma versão beta e entre uma versão comercial definitiva você tem outra beta para lançar. Então vive-se sempre em uma versão beta, com defeitos, mas não porque você é incompetente e não sabe fazer, e sim porque é uma coisa tão nova que ainda não sabemos fazer sem defeitos”

Assim, metaforicamente, também é possível definir a comunicação como beta já que é processo inacabado, infinito e que evolui na mesma velocidade da realidade de seus interlocutores. Portanto, a nós RPs cabe observar, pensar, estudar e inovar nos processos comunicacionais sabendo que a ciência na qual estudamos não é exata e que por isso, não acertaremos sempre (e tudo bem!). Estamos saindo de uma era em que se buscava a perfeição e entrando em outra em que se busca a inovação.

A nova geração de organizações beta, como o Google por exemplo, tem nos ensinado que o fato de não se prometer a perfeição torna as relações mais verdadeiras e leais, além de alimentar o aprendizado. Ronaldo Lemos, advogado e diretor do Creative Commons Brasil, no vídeo “Erroristas”, afirma que vivemos na era do “errorismo”, em que errar é tão importante quanto acertar.  

Portanto, é arriscando (com responsabilidade) que conseguiremos de fato acessar a matéria prima de nossa profissão: as pessoas. É preciso compreender que a era de mudança na qual vivemos exige abandonar a necessidade de classificar a comunicação e stakeholders em balaios fechados.  A comunicação é emitida e recebida por pessoas que são diferentes, que tem sentir e sentidos, tem histórias e experiências singulares e que por isso, merecem muito mais do que ser limitadamente classificados em internos e externos, por exemplo. A mudança no estilo de vida dos indivíduos evolui constantemente e cabe a nós, fazer com que a nossa amada profissão acompanhe essas mudanças com humanidade e empatia.

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