Evento Share 2016




Nos dias 11 e 12 de março rolou na ESPM-Sul mais um Share, evento promovido pela Eventos Share. O grupo existe desde 2013 e é especializado em palestras e cursos, que promovem e debatem diversos temas ligados ao conteúdo digital. Eu estive lá representando o Fala Mais, RP! no sábado, e agora conto para vocês um pouquinho do que vi por lá!

Logo na chegada, e para aguentar o dia inteiro de atividades, fomos recebidos com um welcome coffee lindo. Enquanto a gente tomava um cafezinho, podia já ir se cadastrando e pegando a sacolinha com o kit Share. Ela vinha cheia de coisinhas úteis e bonitinhas, como o lindo moleskine (feito em parceria com a 99 Táxis), as canetas, balinhas, pirulitos e alguns flyers sobre cursos e eventos que acontecem na própria ESPM. Confesso que uma das minhas canetas não veio funcionando, mas a montagem e a organização estavam realmente excelentes.

Fonte: Eventos Share/Reprodução

Aí veio a primeira palestra. Começamos com a Renata Steffen falando sobre Visual Thinking na palestra intitulada Como usar o Visual Thinking para vender suas ideias. Ela nos contou que é formada em Publicidade e Propaganda pela UFRGS, mas sempre trabalhou como designer. Hoje em dia, depois de trabalhar em diversas revistas, como Superinteressante, Mundo Estranho, Aventuras na História e também no jornal Folha de São Paulo, ela tem a própria agência, a Laboota.

Fonte: Eventos Share/Reprodução

Na sua explanação, a Renata começou reforçando que Visual Thinking não deve ser confundido com Design Thinking, e disse que nós todos fazemos VT desde crianças, o tempo todo. Mas afinal, o que é o Visual Thinking? Segundo a nossa especialista, é a concepção de que, em um texto – publicitário ou não – as imagens e toda a parte visual e estética (como a fonte da letra e as cores usadas, por exemplo), têm tanta importância quanto as palavras e, por isso, devem ser pensadas estrategicamente, e não apenas como algo para embelezar o que se quer passar ao público.

E a partir daí ela foi mostrando vários exemplos legais presentes no nosso dia-a-dia, desde o botão da descarga do vaso sanitário até sessões inteiras de exposições de arte, sempre ressaltando como a boa utilização do Visual Thinking otimiza a mensagem que se deseja passar ao receptor da mensagem.

Fonte: Material Renata Steffens/Reprodução


Depois foi a vez do Pedro Lenhart. O Pedro é de Caxias, curador do Eventos Share e atualmente trabalha no Departamento de Análise de Políticas Públicas (DAPP Lab), na FGV do Rio de Janeiro. Com a palestra Desvendando a pesquisa social digital, o cara falou para a gente sobre pesquisa, monitoramento e big data nas redes, e, resumindo bem, como isso tudo é usado para construir perfis e obter informações de comportamento massivo a partir de dados geolocalizados.

Fonte: Eventos Share/Reprodução


Ele disse também que, na era em que todos os nossos processos se tornam digitais e há um aumento exponencial de armazenamento de dados, há também a necessidade de análise de todo esse conteúdo, e é este resultado que permite uma nova forma de percepção dos fenômenos sociais. Toda essa experiência está mudando a forma que vivemos no trabalho, nas cidades, nas relações com o governo, de consumo e até com nós mesmos. 

Fonte: Material Pedro Lenhart/Reprodução

Depois ele deu muitas dicas legais de programas gratuitos disponíveis na web que podemos usar para fazer pesquisa digital social nas mais diversas mídias sociais que utilizamos hoje em dia. Para o Instagram há o Instagram Scraper e Instragram Network; para o Tumblr, o Tumblr Tool; para o Youtube, que tem uma rede de informações bem aberta, há o YouTube Data Tools; para o Facebook, que ao contrário, tem uma rede bem fechada, temos o Netvizz; para o Twitter, existe o DMI Twitter Capturing and Analysis Toolset (DMI-TCAT) e, por fim, no Google, há o Google Scraper.

Para encerrar, ele falou que o trabalho com pesquisa de dados digitais é muito complexo, porque se capta muitas informações que não são pertinentes ao resultado que se deseja obter, então para isso é necessário saber bem o que perguntar e focar para que ela tenha uma base de respostas macro, micro, quali e quanti, porque só assim é possível otimizar a sua análise.

Para quem gosta do tema, fica a dica do infográfico que é atualizado em tempo real, feito em uma parceria do DAPP Lab com o jornal O Globo: O Pulso do País.

Fonte: Jornal O Globo/Reprodução


Aí chegou a vez da Stella Wilderom, da Bunny Consulting. Ela falou sobre Marketing B2B: Entendendo esse bicho de sete cabeças, e veio nos explicar um pouco sobre esse que é, segundo ela, o marketing cirúrgico.

Fonte: Eventos Share/Reprodução

Segundo a Stella, o mercado se polariza entre marketing para consumidores e marketing para empresas, e que enquanto o B2C (business to consumers) é visto como mais ativo, o B2B (business to business) mantém uma característica mais discreta, até porque perfis de negócios mudam muito a prática das empresas que trabalham nesse ramo. Ela reforçou que, apesar do pouco crédito que se dá ao segmento B2B em relação ao B2C, é importante que ambos estejam no digital e ocupem esse terreno com inteligência.

Para isso, a consultora afirma que, além de se entender muito bem o fluxo e as características da empresa com que se trabalha, também é preciso ter outras prerrogativas, como falar a língua do seu público, pensar sempre que o gatilho das decisões é racional no mundo dos negócios, tudo se baseia sobre dados e dados, o bom relacionamento é essencial e é preciso saber usar as ferramentas corretas para chegar ao seu público. Outro ponto importante é entender o contexto e saber que nem sempre o caminho óbvio é o certo, e que para isso é preciso ter sempre em mente duas palavras de ordem: questionar e arriscar.

Fonte: Material Stella Wilderom/Reprodução


Depois de uma pausa para o almoço, voltamos com o Daniel Padilha e a palestra Pimp My Brand!, falando sobre marcas, design e inovação. O Daniel, que é formado em design, atua hoje como consultor de branding, e já nos traz logo de cara a grande questão: o que as pessoas estão esperando das marcas hoje?

Fonte: Material Daniel Padilha/Reprodução


E ele logo também já responde que o que hoje em dia toda marca precisa ter é transparência, personalidade, diálogo e propósito e que, para chegar lá, devemos trabalhar nossa trilogia empreendedora.

Fonte: Material Daniel Padilha/Reprodução

Depois de uma aula bem didática sobre os três fatores centrais, ele conclui dizendo que o branding existe para mudar as marcas, que por sua vez mudam as pessoas, que mudam o mundo. Para ser possível firmar uma marca com tanta solidez, no entanto, é preciso pensar em um processo de construção de marca que passa por um caminho que vai da estratégia de negócios e marca a valor de marca e comunicação e experiência, passando por identidade visual e verbal.


E, para encerrar, ele aborda a questão da branding experience, algo que cada vez mais as pessoas buscam ao se relacionar com as marcas: mais do que uma simples compra, elas querem a experiência que aquela compra pode oferecer a elas.


A caixinha da joalheria Tiffany & Co. é algo às vezes tão desejado quanto o próprio objeto que vem dentro – a experiência vai além do que está sendo de fato comprado. Fonte: Google.

A quinta palestra do dia foi O Herói Online: o uso dos arquétipos e o consumo digital, com o Felipe Machado. Graduado como design gráfico, o Felipe se apaixonou pela questão da psicologia aplicada ao consumo, e passou a estudar os arquétipos existentes tanto em marcas como em consumidores, e de que forma isso afeta o nosso imaginário coletivo e individual.

As coisas, as pessoas e até mesmo as empresas emanam energias psíquicas que afetam nossos níveis conscientes e inconscientes, e essas são formas de acessar determinadas emoções do ser humano. E as marcas, por sua vez, estão sempre ligadas a um arquétipo, ou seja, um tipo de comportamento humano que tem essa habilidade de “puxar” uma emoção da gente.

Assim, ele nos traz o arquétipo do Inocente, que é aquela marca que vê tudo de forma inocente e pura, um mundo perfeito onde todos podemos viver felizes, como é o caso da Coca Cola; do Mago, onde o produto ofertado tem a capacidade de mudar quem o consome, como acontece com o Red Bull (que te dá asas) e o Doril (“a dor sumiu”); o do Prestativo Online, que é o arquétipo colaborativo, generoso e parceiro, como se vê em propagandas do Catarse e Ikea, por exemplo; e o do Bobo da Corte, que é o que trabalha com ironia, sarcasmo e malícia, como vemos na famosa página do Dollynho.  


Os arquétipos do Inocente, do Mago, do Prestativo Online e do Bobo da Corte são facilmente identificados. Fonte: Google.

Para terminar, ele abordou a questão dos arquétipos nos ambientes virtuais, e como isso vem influenciando a forma como interagimos com as marcas. Atualmente, padrões e arquétipos que eram considerados fechados vêm ganhando uma nova interface, em função de todas as transformações globais e sociais que estamos passando. Neste sentido, ele nos apresenta mais três arquétipos contemporâneos que estão sofrendo alterações na forma como os vemos, interpretamos e aceitamos.

Desta forma, o arquétipo de Afrodite, a deusa do belo, da expressão sexual e do amor, já não é mais a mesma. O mundo não deseja mais ver aquela mulher perfeita seminua em posições eróticas, mas sim a real beleza que todas têm a oferecer. Para exemplificar, ele trouxe o caso de queda das vendas da Barbie e o vídeo da campanha “This Girl Can”, da Sport England, que você pode ver abaixo.


No arquétipo de Ártemis, a deusa da caça, que usava um arco e flecha e não se submetia a nenhum homem, vemos exemplo nos mais diversos meios, como Merida, a princesa da Disney, Katniss, a heroína da franquia Jogos Vorazes e em inúmeros comerciais de empoderamento feminino que colocam a mulher lutando – e conquistando – seu lugar no mundo.
Para encerrar, o arquétipo do Herói-Fora-da-Lei e nossa propensão cada vez maior a gostar – e até mesmo torcer – pelos vilões (ou por um mocinho que não seja apenas bom, mas tenha um lado malvado para deixar tudo mais interessante). O novo herói deve ter um lado mais sombrio, contraventor e é esse aspecto que lhe dá força para ter a torcida do grande público.


Conchita Wurst, Madeline Stuart e Viktoria Modesta: exemplos de sucesso fora dos padrões. Fonte: Google.


A penúltima palestra do dia foi com a jornalista Anna Martha Silveira, que trabalha na agência Pereira & Odell e veio falar com a gente sobre Conteúdo ou Formato: quem faz história?

Fonte: Eventos Share/Reprodução


Para ilustrar o ponto da sua palestra, Anna Martha começou com uma pergunta simples: você se lembra do filme Toy Story (que foi a primeira animação do mundo) e Titanic, peças de arte visual na época em que foram feitos, pelos efeitos técnicos ou a história que contavam? E O Senhor dos Anéis? E Avatar?

Fonte: Google

E a partir daí ela desenvolve a ideia de que entre ser o melhor ou ser o primeiro, o melhor é ser os dois – mas se não der, então é preferível ser o melhor. E isso só é possível trabalhando e pensando conteúdo, que pra ela, hoje, é o grande problema no jornalismo e na publicidade. A Anna diz que não existe conteúdo ruim, apenas mal contado, porque as pessoas até têm boas ideias sobre o que trabalhar, mas a parte visual ainda é pouco planejada. Uma dica que ela dá, então, é que postagens digitais tenham, por exemplo, fotos tiradas por fotojornalistas, uma vez que eles são pessoas capazes de contar uma história inteira com uma única imagem. Porque, mais importante que contar uma história, é saber qual história se está contando – e aqui a briga de real time marketing vs. right time marketing entra com tudo.

E para encerrar, a palestra mais esperada do dia, com o casal Martha Mendonça e Nelito Fagundes, co-criadores e co-responsáveis pelo blog e página viral Sensacionalista: um jornal isento de verdade. Os dois contaram um pouco sobre a vida deles como jornalistas na vida real e de como tudo alcançou o tamanho que tem hoje (se fosse um jornal de verdade, o Sensacionalista seria o quarto maior do país!). Em um bate-papo bem descontraído, eles contaram como surgiu a ideia do blog (o Nelito sentia falta de fazer algo na área do humor), os primórdios (com muita piada politicamente incorreta que eles hoje não fazem mais), o estouro (nas eleições de 2014) e como funciona o dia-a-dia do grupo, que conta, além deles, com mais dois sócios e dois parceiros.


O Nelito e a Martha, do Sensacionalista. Fonte: Eventos Share/Reprodução

O evento acabou aí, junto com um monte de premiações e brindes para alguns sortudos. Eu achei o evento bem construído, organizado e pensando – apesar de tantas horas assim o deixarem um pouco cansativo.

Ainda não existe uma próxima data agendada para o evento acontecer de novo em Porto Alegre, mas eles têm uma série de programas já agendados pelo Brasil, com um calendário que você pode acompanhar por aqui: http://www.eventoshare.com.br/

Espero que vocês tenham gostado e continuem nos acompanhando aqui no Fala Mais, RP! Além disso, também podem nos enviar sugestões de eventos que vocês gostariam de ver aparecendo aqui no blog.

Até o próximo!

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