Escuta, RP: conversamos com Júlia Furtado, Presidente do Conferp



Fala Presidente!
Nós queremos te escutar.

Estamos com com novidades: uma série nova, a Escuta, RP! Queremos conversar, aprender e nos renovarmos com as histórias, experiências e novidades que os profissionais de Relações-Públicas estão fazendo pelo Brasil. E para começar com o pé direito, conversamos com a atual Presidente do Conferp, Júlia Furtado. Ela nos contou alguns planos da nova gestão do Conselho para 2016/2019 e também sua visão sobre o mercado de Relações Públicas.


Fonte: coletiva.net


FMRP: Quais são os principais objetivos da nova Gestão Conferp?

Júlia Furtado: Traçamos cinco objetivos, que vão desde a aproximação com registrados e estudantes de relações públicas até ações de relacionamento com a sociedade. Desenvolver práticas de gestão eficientes, promovendo a troca de experiência entre os Conselhos Regionais, modernizar as normas que regem o sistema Conferp, facilitando a atuação dos regionais na orientação e fiscalização da profissão; acompanhar o ensino de relações públicas e ampliar o relacionamento com os estudantes. E ainda, promover a interface do sistema Conferp com organizações públicas e privadas com o intuito de promover a profissão através da orientação do exercício das relações públicas; Também iremos interagir com demais conselhos profissionais e promover estudos e conferências sobre relações públicas. Vamos trabalhar por um conselho profissional de relações públicas sem crise de identidade ou complexo de inferioridade, seguro de si na defesa da sociedade, do interesse público e da valorização do profissional.  

FMRP: Quais serão as primeiras ações a serem realizadas?

Júlia Furtado: Nossa primeira importante ação foi conseguir unir 14 profissionais, voluntários, das mais diversas regiões do Brasil, para concorrer como chapa nas últimas eleições, em 2015. Foi difícil, mas pudemos perceber que temos ainda muita força e vontade de fazer uma representação verdadeiramente com o olhar para a profissão e para os profissionais. Quando assumimos, em 16 de janeiro, já tínhamos um importante desafio: construção de um diálogo com o Conrerp 5, com sede em Recife, que foi fechada em setembro de 2015 em razão da renúncia coletiva da gestão anterior. E como resultado deste diálogo, já foi possível a adesão de 14 profissionais, experientes e "novatos" que, assim como a nova gestão do Conferp, aceitou o desafio de reativar a gestão naquele regional. Outras ações estão sendo planejadas pelas nossas comissões especiais de comunicação, planejamento e relacionamento. Em breve teremos novidades.


FMRP: Quais tendência você enxerga no mercado de Relações Públicas?

Júlia Furtado: É difícil falarmos de tendência numa diversidade tão grande como a brasileira. Mas acredito que as mídias sociais se apresentam como um enorme desafio a todas as profissões, a nossa em especial, pois somos capacitados a ser pontes entre os mais complexos relacionamentos corporativos. E mais ainda, nos mais diferentes segmentos da sociedade empresarial, seja pública, particular, terceiro setor, movimentos sociais e possuímos diferenciais importantes para atender as expectativas desses setores. 

É preciso, antes de tudo, acreditarmos nisso, estudar melhor o mercado para que as empresas enxerguem a nossa capacidade e habilidades enquanto profissionais. Creio que, enquanto classe, temos que, definitivamente, nos posicionar como referência no mercado da gestão da comunicação. Ainda sobre a nossa, profissão, importante ressaltar que vivemos a nova era das relações. As instituições não controlam mais espaço, tempo, nem o teor das comunicações sobre ela mesma. Com a web, não existem fronteiras. As novas tecnologias expandiram a relevância das relações públicas, na medida que demandam um  profissional para gerenciá-las. As relações públicas assumem um papel de liderança nesse novo cenário, sendo aquela que ouve e auxilia as organizações a interagir e engajar seus públicos como nunca aconteceu antes.   

Refletindo sobre a função social das relações públicas, sabemos que atuamos muito bem na difusão de informação e na mediação dos debates entre os grupos em busca da harmonia e do consenso. Entender a comunicação, a cidadania, a visão sistêmica e as redes sociais é o caminho para a transformação da realidade social por meio das relações públicas.

FMRP: Agora uma curiosidade. Como é a relação do CONFERP com os Conselhos Regionais?

Júlia Furtado: O Conferp e os Conrerp’s fazem parte de um sistema (o Sistema Conferp) que não existe isoladamente. Acredito que é preciso neste momento uma maior aproximação com os regionais para que possamos mostrar a força que temos. É importante que façamos, e assim será, um planejamento levando em consideração as especificidades dos regionais. Pois é fato que as prioridades dos estados do Norte não são os mesmos dos do Sul ou que qualquer outra região. Pensar nesta diversidade é o que nos dará mais respaldo, enquanto entidade de classe.




FMRP: Como você enxerga a integração das Relações Públicas com as demais áreas da comunicação?

Júlia Furtado: As áreas de comunicação devem trabalham em parceria, mesmo que cada um foque seus esforços no objetivo específico de cada área. Nessa área cabe a um profissional de Relações Públicas fazer a comunicação organizacional geral, ele integra a comunicação de cada departamento e foca no negócio da empresa. Tenho o privilégio de trabalhar em uma Assessoria de Comunicação com colegas relações-públicas, jornalistas e publicitários e diariamente percebemos como as profissões se completam e percebemos a importância de que o gerenciamento da comunicação seja feito por um profissional de relações públicas.




FMRP: Qual é a importância do CONFERP?

Júlia Furtado: O Conferp foi criado por decreto-lei em 1969 e tem como atribuição a coordenação, fiscalaização e disciplinamento do exercício da profissão de relações públicas em todo o território nacional. Em minha opinião, aí está nossa maior importância, sermos reconhecidos por lei. 

Importante lembrar que no Brasil há apenas 68 profissões regulamentadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego — ou seja, que podem exigir formação técnica, cursos superiores ou diplomas para o seu exercício. este número equivale a apenas 2,8% do total de ocupações catalogadas no país  do total de 2.422). Destas, apenas 27 possuem Conselho Profissional e Relações Públicas faz parte desse seleto grupo. Considero importante refletirmos um pouco sobre a evolução da normatização do exercício profissional no Brasil. 

Na Constituição de 1891, havia a previsão do livre exercício profissional. Na carta magna de 1934, o livre exercício de qualquer profissão estava condicionado à capacidade técnica e outras obrigações que a lei estabelecesse, ditadas pelo interesse público. A partir da década de 30, com o fenômeno da “autarquização”, o Estado passou a ter maior interferência na fiscalização do exercício profissional. A união passou a delegar progressivamente a sua função de fiscalizar, criando por meio de leis específicas os denominados Conselhos de Fiscalização Profissional: pessoas jurídicas de direito público, detentoras de autonomia administrativa e financeira e sujeitas ao controle do estado. 

Cabe a essas entidades, além de defender a sociedade, impedir que ocorra o exercício ilegal da profissão, tanto por aquele que possua habilitação, mas não segue a conduta estabelecida, tanto para o leigo que exerce alguma profissão cujo exercício dependa de habilitação. Assim, aos conselhos profissionais incumbe estabelecer os requisitos que possam assegurar o exercício eficaz da profissão, assegurando à sociedade um profissional com o adequado perfil técnico e ético.



E aí, gostou da conversa? Nós achamos muito, muito interessante e esclarecedora! Obrigada, Júlia, pela disponibilidade e simpatia. Desejamos uma boa jornada na sua gestão como Presidente do nosso CONFERP.


JULIA FURTADO
Pós-graduada em Gestão Estratégica, com ênfase em Pessoas pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, pós graduada em Gestão da Comunicação Institucional pela Universidade Castelo Branco – UCB. Graduada em Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas pela Pontifícia Universidade Católica – PUC Minas (2003). Entre 2006 e 2015, exerceu o cargo de Tenente Relações-Públicas da Força Aérea Brasileira. Desde novembro de 2015, exerce o cargo de Analista de Relações Públicas na Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, vinculada ao Ministério da Educação.




Quer falar mais? Escreva pra gente contando um experiência, case, trabalho de faculdade que deu muito certo, enfim, o que vocês quiserem compartilhar conosco! Envie para falamaisrp@gmail.com

Comentários

  1. Gostei de conhecer melhor nossa Presidente do CONFERP Julia Furtado, através desta entrevista!!Como Profissional de Relações há 26 anos, creio que espaços de comunicação, como este, fazia muita falta ao nosso meio... Obrigada pela oportunidade de cada vez mais, me orgulhar de ser Relações Públicas e continuar "lutando" pela nossa profissão!! Parabéns a todos os que se dedicam às RELAÇÕES PÚBLICAS!!

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